1.2.10



Mal-me-quer? Bem-me-quer?

Muito. Pouco. Nada.

Tombam pétalas no chão, à medida que vou despindo as flores, uma a uma, tão fria e cruelmente. "Lembra-me a torneira do lava-loiças lá de casa, que pingava lágrimas custosas que não queriam cair logo...rodeavam o bico primeiro, hesitando, até acederem num desgosto pesado. De minuto a minuto uma melancolia transparente achatava-se no ralo..."

Mal-me-quer.

Atiro a enésima flor para o chão. Apetece-me arrancar os cabelos como se fossem pétalas. Mas porque é que eu insisto?
"Só mais uma vez", murmuro-me. Pego numa última flor. A mais bonita do jardim. Repito o procedimento, desta vez delicadamente, tornando numa carícia cada gesto meu. Tombam, de novo, pétalas no chão.

Bem-me-quer
.

Beijo-a (-te). Guardo-a (-te) no bolso. A minha flor.

1 comentário:

INÊS GOMES disse...

antes de alguem querer, quer-te tu a ti propria.
gostei muito dos teus textos!
beijinhos